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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008

30.05.08

Construir sobre rocha firme...

O evangelho deste domingo nos leva a refletir sobre nosso comportamento como batizados. É uma chamada de atenção para todos os discípulos de Jesus. Quem não apresentar obras, não será reconhecido no céu.
Jesus fala com firmeza e com toda clareza que muitos vão imaginar, e até afirmar, que viveram em comunhão com Ele, só pelo fato de invocar seu nome dia e noite, no entanto, eram apenas ouvintes de suas Palavras.
Jesus deixa claro que não basta dizer Senhor, Senhor. Chama de insensato quem não se sensibiliza com as angústias alheias, com o bem estar do próximo, e que não põe em prática os ensinamentos do Pai.
Para entender melhor, vamos imaginar que nossos irmãos e nossos velhos pais moram distantes, no interior ou em outro estado e que há muito tempo não os vemos. Imagine também que, apesar de rezarmos por eles, nunca nos preocupamos em enviar-lhes ajuda financeira para os alimentos e remédios. Nos mantemos distantes e não lhes enviamos sequer, uma cesta básica.
Já que estamos exercitando a imaginação, imagine agora que, de um momento para o outro, perdemos o emprego e somos despejados por falta de pagamento do aluguel. Para não precisar morar debaixo do viaduto decidimos procurar nossos pais e irmãos, para morar definitivamente com eles.
Imagine agora o tamanho da frustração se, depois de uma longa viagem, arrastando bagagem e malas, ao lá chegarmos, eles perguntarem quem somos e não nos deixarem entrar dizendo que não têm acomodações pois a casa está lotada. Quer constrangimento maior?
Somos seus filhos! - vamos dizer - Como não têm espaço? Quem são esses estranhos que ocupam todas as dependências? – perguntaremos - Esses são para nós mais do que filhos – dirão - São eles que dividem conosco seus alimentos, seus dons e virtudes e, diante da menor indisposição, estão sempre dispostos para nos preparar um chazinho.
Tomara que tudo o que dissemos seja somente fruto da imaginação e que isso nunca venha a ocorrer. Seria triste demais viver toda uma vida e, ao final, ter que admitir que viveu de maneira errada, sem por em prática os ensinamentos de Jesus.
Certamente isso nunca acontecerá para nenhum cristão. Afinal o cristão que é cristão de verdade, jamais deixa de preocupar-se com seus irmãos. O verdadeiro cristão conhece muito bem esse evangelho e sabe que Jesus não estava brincando quando disse isso tudo aos seus discípulos.
As Palavras de Jesus devem levar-nos a rever, com seriedade, nossa vida pessoal e comunitária. Fazer a vontade do Pai não se resume em marcar presença nas missas dominicais ou em generosidades esporádicas. Jesus afirma que o que vale diante de Deus não são as obras extraordinárias, nem os milagres feitos em seu nome, mas sim o cumprimento constante e fiel da sua vontade.
A vontade de Deus é ver seus filhos vivendo suas Palavras. Viver o Evangelho significa construir o futuro sobre uma rocha. Jesus deixou-nos a certeza de que um futuro feliz já está reservado para aquele que, por amor saciar a fome, que der de beber, que vestir o maltrapilho, visitar o encarcerado, o idoso, o doente...

Jesus chamou de bem aventurado aquele que promover a paz.

  • criado por  NICE criado por NICE
  • Postado em 01:50:48

25.05.08

"OS DOIS CORPOS DE CRISTO"

 

                                  São  São Paulo nos apresenta a Eucaristia como mistério de comunhão: «O cálice que abençoamos não é acaso comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?». Comunhão significa intercâmbio, compartilhar. A regra fundamental de compartilhar é esta: o que é meu é teu, e o que é teu é meu. Tentemos aplicar esta regra à comunhão eucarística e perceberemos a «enormidade» do tema

 
«O que tenho eu de especificamente ‘meu’?   A miséria, o pecado: isto é exclusivamente meu. E o que Jesus tem de ‘seu’ que não seja santidade, perfeição de todas as virtudes? Então, a comunhão consiste no fato de que eu dou a Jesus meu pecado e minha pobreza. E Ele me dá sua santidade. Realiza-se o «maravilhoso intercâmbio», como o define a liturgia.
Conhecemos diversos tipos de comunhão. Uma comunhão bastante íntima é a que se produz entre nós e o alimento que comemos, pois este se torna carne e nossa carne e sangue de nosso sangue.
É verdade que a comida não é uma pessoa viva e inteligente com a qual podemos intercambiar pensamentos e afetos, mas suponhamos por um momento que o fosse. Acaso não se teria a perfeita comunhão? Pois é o que precisamente acontece na comunhão eucarística. Jesus, na passagem evangélica, diz: «Eu sou o pão vivo, descido do céu... Minha carne é verdadeira comida... Quem come minha carne tem vida eterna». Aqui o alimento não é uma simples coisa, mas uma pessoa viva. Tem-se a mais íntima, ainda que a mais misteriosa, das comunhões.
Observemos o que acontece na natureza, no âmbito da nutrição. É o princípio vital mais forte que assimila os menos fortes. É o vegetal que assimila ao mineral; é o animal que assimila o vegetal. Também nas relações entre o homem e Cristo se verifica esta lei. É Cristo quem nos assimila; nós nos transformamos n’Ele, não Ele em nós. Um famoso materialista ateu disse: «O homem é o que come». Sem saber, ele deu uma definição ótima da Eucaristia, graças à qual o homem se converte verdadeiramente no que come, isto é, no Corpo de Cristo!
Leiamos como prossegue o texto inicial de São Paulo: «Porque ainda sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos de um só pão». Está claro que neste segundo caso, a palavra «corpo» não indica já o corpo de Cristo nascido de Maria, mas nos indica «todos nós», indica aquele Corpo de Cristo mais amplo, que é a Igreja. Isso significa que a comunhão eucarística é sempre também comunhão entre nós. Comendo todos do único alimento, formamos um só corpo.
Qual é a conseqüência? Que não podemos ter verdadeira comunhão com Cristo se estivermos divididos entre nós, nos odiarmos, não estivermos dispostos a reconciliar-nos. Se ofendestes teu irmão, dizia Santo Agostinho, se cometeste uma injustiça contra ele, e depois vais receber a comunhão como se nada tivesse acontecido, talvez cheio de fervor diante de Cristo, tu te pareces a quem vê chegar um amigo ao qual não vê há muito tempo. Corre a seu encontro, estende-lhe os braços ao pescoço e lhe dá um beijo na testa. Mas ao fazer isso, não se percebe que está pisando seus pés com seu calçado cheio de barro. 

                                                                                                                                   Os irmãos, com efeito, especialmente os mais pobres e desvalidos, são os membros de Cristo, são seus pés colocados ainda na terra. Ao dar-nos a sagrada forma, o sacerdote diz: «O corpo de Cristo», e respondemos: «Amém!». Agora sabemos a quem dizemos «Amém», ou seja, sim, eu te acolho: não só Jesus, o Filho de Deus, mas também o próximo.


Na festa do «Corpus Domini», não posso esconder um pesar. Há formas de doença mental que impedem de reconhecer as pessoas próximas. É quando alguém durante horas: «onde está meu filho? Onde está minha esposa? O que aconteceu a eles?», e talvez o filho ou a esposa estejam lá, seguram sua a mão e repetem: «Estou aqui, não me vês? Estou contigo!». Assim acontece também com Deus. Os homens, nossos contemporâneos, buscam Deus no cosmos ou no átomo; discutem se houve ou não um criador no início do mundo. Continuamos perguntado: «Onde está Deus?», e não percebemos que Ele está conosco e se fez comida e bebida para estar ainda mais intimamente unido a nós. João Batista deveria repetir tristemente: «No meio de vós está aquele a quem não conheceis». A solenidade do «Corpus Domini» nasceu precisamente para ajudar os cristãos a tomarem consciência desta presença de Cristo entre nós, para manter desperto o que João Paulo II chamava de «estupor eucarístico». Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia

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  • Postado em 08:23:22

24.05.08

"HUMANO, TÃO HUMANO ASSIM,SÓ PODIA SER DEUS"

categorias: estudos bíblicos

                          

                                                     CRISTOLOGIA

1- QUESTÕES FUNDAMENTAIS
Cristologia é um tratado da Teologia Dogmática, que reflete as realidade limites da Teologia.
O que é realidade limite?
No Catecismo da Igreja Católica, quando lemos proclamação que lá se encontra “ Creio em Jesus Cristo filho único de Deus” , esta é uma realidade limite da fé. Depois de uma longa reflexão, vivência cristã, vivência litúrgica, vivência de testemunho do martírio, chegou-se a uma reflexão limite teológico que é a proclamação de que Jesus é o Cristo de Deus e o Filho único de Deus, E essa é uma realidade limite de fé. E é sobre essa realidade que vamos, através da cristologia, descobrir o que levou a ver no Jesus de Nazaré, filho de José, o carpinteiro da Galiléia, o Cristo de Deus. Esta é a função primeira da cristologia.

1.1. Por que se faz essa reflexão? Ou melhor, por que nasce a Cristologia?

A Igreja cainha a 2000 anos, e a cada momento de sua vida, em cada espaço histórico e cultural os homens e as mulheres que abraçam a fé interpretam Jesus, ou dão um significado a Jesus, a partir do seu tempo, do seu momento. A cristologia parte também do resgate desses momento históricos em que se vai produzindo essa reflexão sobre a fé.
A teologia é sempre questionante, interrogante e relativa ao tempo, ao local, às pessoas...Durante todos esses anos de história da igreja, milhões de homens e mulheres, comuns como nós, têm venerado o nome de Jesus. Para a caminhada cristã, é claro que Jesus é o centro, ou melhor, deveria ser. Mas, muitas vezes, essa veneração se reduziu a interpretações muito relativas, e em nome dessas muitos pecados foram cometidos, homens e mulheres mataram a partir dessa interpretação deturpadas sobre Jesus.
A partir da Cristologia, temos a certeza de que não podemos falar de Jesus desvinculado da história. Sempre é necessária a realidade histórica da Palestina, onde viveu Jesus, a realidade histórica dos primeiros séculos depois de Cristo, onde as primeiras comunidades escreveram os Evangelhos, e a nossa realidade histórica. E a partir da prática de Jesus e a dos primeiros cristãos é que devemos orientar a nossa prática hoje. Por isso a Igreja insiste nesse início de milênio no estudo dos Evangelhos e o Livro dos Atos dos Apóstolos, para guiar o agir na nova Igreja, nesse Novo Milênio que iniciamos. Fl 2, 5-8 / Hb 10, 5-7.

2- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIC) Primeira Parte/ Segunda Seção/ Capítulo II

423 “Cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, nascido judeu de uma filha de |Israel...” 464 “O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus...”
470 “De que maneira o Filho de Deus é homem”
480 “ Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa Divina: por isso
o único mediador entre Deus e os homens”.
514-516 “ Toda vida de Cristo é mistério”
520-521 “ Ele é o homem perfeito”.
606 “ Toda a vida de Cristo é fazer a vontade do Pai.”
609 “ Ninguém me tira a vida, mas eu a dou livremente”

SUBSÍDIOS PARA ESTUDO: DIÁCONO GÃO

  • criado por  NICE criado por NICE
  • Postado em 20:01:05

Corpus Christi

Eucaristia é fonte de comunhão e de vida para todos os cristãos. Celebramos Corpus Christi, o Corpo de Cristo, numa importante cerimônia, acompanhada de uma procissão, pelas ruas da cidade, para despertar nos participantes, o valor infinito desse Sacramento. É a presença eucarística de Cristo na vida da comunidade.


Esta festa foi oficializada em 11 de agosto de 1264, pelo papa Urbano IV, tendo como local de origem a paróquia de Saint Martin, em Liége, por iniciativa de uma freira agostiniana, Juliana de Mont Cornilon. Ela insistia para que houvesse uma liturgia solene sobre a Eucaristia. Corpus Christi passou a ser uma festa de pompa, com muitas cores, músicas e expressões de grandeza. É realmente uma expressão de fé e devoção eucarística.
A Igreja vive o mistério da fé eucarística.  Além disto, a Eucaristia é força que congrega, confirmando a nossa unidade em Jesus. Aí acontece o exemplo salvador de Cristo doando-se totalmente para o bem da humanidade. Cabe a nós valorizar este gesto de profundo amor e desprendimento.

 
O próprio Jesus diz ser o pão vivo descido do céu. Pão de vida eterna para quem dele participa. É carne de Cristo para a vida do mundo. Alimento de vida eterna para as pessoas. Pão da vida que passa pelo Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia.


Muita gente vive sem o necessário pão e alimento para a vida. É evidente que Cristo é o pão para fortalecer o espírito, mas desperta nos cristãos a solidariedade e a partilha, fazendo com que haja alimento para todos. Desperta sentido de esperança e de confiança. Deus não deixa faltar o necessário para aqueles que Nele confiam e partilham o que têm.
A não confiança em Deus causa desorientação e insegurança. Comer da carne de Cristo significa assumir a vida de cruzes, de sofrimentos e enfrentamentos. É uma questão de aceitação e de adesão, assimilando a realidade humana, tendo uma conduta de doação e de íntima comunhão com Jesus Cristo. Tudo isto leva a compromissos sérios com o irmão e com a missão.

 
No deserto Deus deu o maná como alimento. Isto fez com que o povo se transformasse em povo de Deus. É o que faz conosco a Eucaristia, construindo a nossa história como povo de Deus. Ela é memória viva e dinâmica da vida de Jesus, que continua na nossa vida, na busca da nova terra e do novo céu. É vida nova que supõe relações sociais e comunitárias seguindo o  projeto de Jesus.


É difícil caminhar sem uma força de sustentação. O alimento, por exemplo, é indispensável para a vida física. O mesmo acontece na vida dos cristãos. Como o maná, no Antigo Testamento, assim acontece com a Eucaristia para nós. Ela faz acontecer o Reino de Deus nas nossas realidades diárias. Estimula as nossas esperanças no relacionamento fraterno. Provoca unidade e compromisso social na comunhão.

" Eu sou o Pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente..."Jo 6,51

 Ao nos defrontarmos com tamanha grandeza e generosidade do amor de Jesus, sómente conseguimos exclamar como o centurião romano:"Domine, nom sum dignus ut intres sub tectrum meum sed tantum dic verbo et sanabitur anima mea". (Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo).

Como os discípulos de Emaús, queremos Senhor, estar abertos a acolher a sua Palavra, e, partilhar a nossa vida, tornando-nos participantes da redenção do mundo...


  • criado por  NICE criado por NICE
  • Postado em 02:41:37

18.05.08

Deus não nos esquece...




"Sião dizia: O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-me.
Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca.
Eis que estás gravada na palma de minhas mãos, tenho sempre sob os olhos tuas muralhas. "
Isaías 49,14-16

 

Ninguém te ama como eu 

Tenho esperado este momento, tenho esperado que viesses a mim
Tenho esperado que me fales, tenho esperado que estivesses assim
Eu sei bem que tens vivido, sei também que tens chorado
Eu sei bem que tens sofrido, pois permaneço ao teu lado.

Ninguém te ama como eu, ninguém te ama, como eu
Olhe pra cruz esta é a minha grande prova.
Ninguem te ama como eu, ninguem te ama como eu
Olhe pra cruz, foi por ti porque eu te amo
ninguem te ama, como eu!

Eu sei bem o que me dizes, ainda que nunca me fales
Eu sei bem o que tens sentido ainda que nunca me reveles
Tenho andado ao teu lado, junto a ti permanecido
Eu te levo em meus braços, pois sou teu melhor amigo.
Fábio de Mello

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  • Postado em 23:19:22